Suba a minha oração perante a vossa face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde. {Salmos 141:2}

terça-feira, 4 de agosto de 2009

a flor do caminho



Entre várzeas e riachinhos
Entre as pedras do caminho
Havia uma flor.
Pequenina, era quase invisível
Aos humanos, aos animais, às plantas
E a qualquer ser menos sensível

Mas ela estava ali
E o anil celeste pintava suas pétalas
Retocando-a com nanquim
Seu botão, este era grande
Branquinho qual ninguém pintou
E seguia a vida, se sustentando
Num talo sem espinhos de dor

Havia, porém, nessa flor
Algo deveras especial
Algo revelador
Que entre o universo e ela se dava
Apenas
E seu contato era mesmo encantador:

Quando chovia na cidade
Nas entranhas de seu caule
Ela sentia
..................as lágrimas da humanidade
Se fazia sol na terra
Observando os seus
Ela sentia
.................o cálido adeus
..................em que tudo se encerra

Quando as folhas cobriam o chão
Ainda que rodeada e aquecida
Ela sentia
................a dura pena da solidão

E se os pássaros e outros entes
Vinham fazer-lhe companhia
Ela sentia
...............ser por ocasião das sementes
................e frutos que enchiam a pradaria

Mas a florzinha cresceu
E virou lírio, e virou jasim,
Virou rosa, cravo e, de novo, lírio
Ainda que pra você e pra mim
Não fizesse o menor sentido

E cresceu, todos podiam ver
O universo mesmo dera-lhe meios
Para aos seus tropeços sobreviver
E com essa unidade complexa
Às vezes coesa, outras desconexa
É que ela se fez flor
Se fez riso, luz, canção
E se eternizou.




Um comentário:

  1. A verdadeira saga de uma “florzinha”, onde não simplesmente se torna flor, mas “se faz flor”. ^^’ as dores não são em vão.

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