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Mostrando postagens com o rótulo opinião

uma vida mediada

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Tenho pensado sobre a minha relação com o celular e percebi que o problema vai muito além das redes sociais: a nossa vida toda tem sido mediada pela tecnologia, a ponto de afetar os nossos pensamentos e a nossa percepção das coisas ao redor. Até que ponto isso será inofensivo?  Tudo bem, é muito prático pagar as contas por um clique em vez de imprimir um boleto e ir até uma agência. Mas será que essa praticidade não nos faz perder a noção do dinheiro? Por vezes me pego pensando que sim. Não temos mais a real noção de quantia devido à falta de volume em nossas mãos, à falta de materialidade. E isso acontece com diversas outras coisas em nossa vida cotidiana: trocar mensagens com amigos em vez de ligar ou conversar pessoalmente, enviar e-mail em vez de se demorar em uma reunião, tirar foto de algo e postar em vez de mostrar para alguém que está ao lado, interagir com pessoas distantes ou até desconhecidas em vez de dar atenção a quem está presente. Nem estou falando das outras mil pe...

O nosso olhar "caducou"

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Uma amiga me mandou aquele vídeo que tem circulado na internet, do psicoterapeuta Leo Fraiman falando sobre como a nossa sociedade "caducou" e  de como as necessidades de afeto que estavam "gritando" sob a forma de depressão, ansiedade e suicídios estão vindo à tona agora, dentro de cada lar. A fala dele fez pensar não só a mim, mas a muita gente, dadas as expressões faciais das pessoas presentes no programa e o número de compartilhamentos.  Fez pensar sobre como as relações têm sido terceirizadas, protocoladas, deixadas para depois. Sobre como a nossa capacidade de conviver tem diminuído. Sobre como a tecnologia tem tomado o espaço do real. Nada disso é novidade, mas ganhou uma proporção tão grande e insuportável que fomos obrigados a ver "o elefante na sala". A ver que temos uma sala a ser preenchida por pessoas. Uma sala de estar . De estar presente com pessoas. Redundância? Ao que parece, a ênfase nos significados das palavras se tornou necessá...

a vida pede para abrandar

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As pessoas hoje querem fazer tudo. Casar, ter filhos, fazer graduação, mestrado, doutorado, trabalhar, cuidar do corpo, se divertir, ter uma religião, tudo ao mesmo tempo. Eu, de certa forma, me incluo. Mas estou percebendo que a vida pede para abrandar. A natureza não segue esse ritmo frenético da modernidade, nem nunca irá seguir. A semente cai em terra fértil e requer tempo e condições para brotar. A árvore não fica frondosa em um dia, nem em dois, mas em meses e anos. Os frutos não dão em todo o tempo, mas somente na estação propícia. Nós somos parte da natureza, por mais que a vida urbana nos faça crer que não. Um bebê não cai em nosso colo do nada; é fruto de um encontro com outra pessoa, de todo um desenvolvimento celular, depois corporal da mãe e do feto, até que, após cerca de nove meses de muita espera e sacrifício (principalmente na hora do parto), o neném chega a nossos braços. Este é um dos poucos momentos que a mulher moderna ainda aceita esperar, e só p...